Rita Lee busca canções menos



No Twitter, Rita Lee avisava seus 270 mil seguidores de que a Folha estava chegando na casa onde mora, entre cães, carpas e tartarugas, na Granja Viana (Grande SP).


Em outro, ia adiante: “Vou dar um trato no esqueleto, vou me fazer bela, vou me banhar, vou me vestir bonito, vou me maquiar, vou decorar mentiras, vou me cuidar”.


A cantora está gravando dois discos ao mesmo tempo –”Bossa n’ Movies” e outro que deve se chamar “Macumbinha” ou “Zzyzx”.


Em casa, inaugurou o pequeno estúdio que fica entre a cozinha e a piscina.


“No verão, era mergulho, estúdio, mergulho. Gravava de biquíni”, diz. “Agora, no frio, é cama, estúdio, TV. Nunca mais tirei o pijama.”


“Bossa n’ Movies” foi o primeiro que começou no esquema caseiro. Nele, Rita transforma clássicos do cinema em bossa nova (ou em algo próximo). Tipo o que fez com os Beatles em 2001.


Gravou três faixas. “As Time Goes By”, do emblemático “Casablanca” (1942), “Hi Lili Hi Lo”, de “Lili” (1953), e uma versão em português feita por ela para “Nel Blu Dipinto di Blu (Volare)”.


“Eu gosto mais de cinema do que de música, né?”


Enquanto trabalhava nas versões das trilhas do cinema do disco “Bossa n’ Movies”, Rita Lee planejava começar a produzir outras faixas, também a partir de temas de filmes mexicanos, franceses e brasileiros.


Só que, no meio do caminho, começou a compor sem parar. O material de inéditas tomou a dianteira.


“Queria fazer uma enquete. Tenho dois nomes possíveis. Um é ‘Zzyzx’. É um lugar no deserto de Mojave que às vezes não existe, e é fantasma”, diz. “O outro é ‘Macumbinha’. Roberto [de Carvalho] gosta mais de ‘Zzyzx’, mas ‘Macumbinha’ me bate mais. Qual você prefere?”


Todo o conceito de “Macumbinha” –ou, pelo menos, o impulso inicial dele– vem de gravações feitas por Rita e pelo produtor Apollo 9 há cerca de cinco anos. Dessa leva, três entrarão no disco.


Uma, “Pistis Sophia”, já está no ar, na segunda edição do projeto “Red Hot + Rio”.


Carvalho, produtor habitual dos álbuns de Rita, só soube da existência desse material quando recebeu o pedido de liberação da faixa. Adorou. E chamou Apollo para produzir com ele.


“Vem cá, meu amor. Vem contar umas mentirinhas pra ele também”, ela chama o marido e parceiro à roda.


‘METIDÍSSIMA’


“Os produtores com quem a gente trabalhou antes tinham um ego que era maior que o meu e o da Rita somados e multiplicados por cem”, diz Carvalho. “Você chama o cara pra uma reunião, e ele traz o disco da Björk como referência. Isso aconteceu, é descrição real.”


Rita endossa: “O Apollo não é aquele produtor que fica gorando porque não é ideia dele”, diz. “Eu estou metidíssima. Eu palpito, e eles me ouvem. Fazia um tempão que não era assim.”


Rita conta que, antes, gravava “num planeta completamente diferente”, em que tudo tinha que ter um formato pré-determinado, óbvio.


“Agora não está mais assim. Quando a música fica muito certinha, eu peço pros dois darem uma desencaretada nelas”, diz. “Por isso esse disco está ficando tão tropicalista. Tem duas músicas que são a cara do Tom Zé.”


‘MACUMBINHA’


Um raio derrubou a energia elétrica em toda a região próxima à casa dos Lee de Carvalho naquela terça-feira.


“Minha primeira entrevista à luz de velas, estou achando uma delícia”, ela diz.


No escuro do estúdio, vai mostrando as músicas –ao menos enquanto ainda restar um fio de bateria no laptop.


Descreve uma a uma.


“Estranho Animal” é lisérgica, “um animal que está longe do habitat e fica numa ‘trip’ de não saber onde ele está”. “Um Rapaz” foi feita em homenagem a Gilda, a personagem mais famosa de Rita Hayworth no cinema.


“Reza” lembra “Jorge de Capadócia”, de Jorge Ben (leia letra no quadro). “É proteção contra os chatos, os olhos gordos.” “Tutti Fuditti”, cujo refrão é “Humberto Eco, eco, eco, eco… Alegro, alegro ma non treppo…”, é toda nesse italiano “como foi escrito. Mas, pra mim, fazia o maior sentido”.


Apollo conta que recuperou vários instrumentos vintage do próprio acervo de Rita. O autoharp (espécie de harpa) que ela tocava nos Mutantes, nos anos 1960, o minimoog (teclado) dos tempos do Tutti-Frutti, nos 1970, e a bateria eletrônica usada no disco “Saúde”, dos 1980.


“Ficamos ouvindo vários sons modernos, e os mais modernos que a gente encontrou eram esses aí”, diz o produtor. “Eles achavam que esses instrumentos estavam quebrados. Mas, ao tocar, o bicho vai revivendo. A gente usou muito no disco todo.”


Tocando instrumentos “de verdade”, além dos músicos habituais de Rita, “Macumbinha” terá Igor Cavalera, baterista do Sepultura, e João Parahyba, do Trio Mocotó.


“Gostou do disco? Tem umas gravadoras se digladiando [para lançar], estou achando uma delícia”, conta. “Nada como trabalhar em casa. Quer um sanduíche? É vegetariano.”




Matéria por Marcus Preto publicada na Folha de São Paulo em 22/06/2011.




24 comentários para Rita Lee busca canções menos “certinhas” em novo álbum

  • Amada, idolatrada… por favor: MACUMBINHA!!! bjsssssssssssssss

  • Vagnao Miron

    Sua bênção Santa ! . Estamos todos esperando com os ouvidos bem abertos. Amo-te .

  • Ricardo

    Olá querida Rita Lee !
    Fiquei bem feliz em saber que está em plena produção, desopilando o fígado em um disco para quebrar o nosso jejum Lee, acredite, nunca é demais… Cresci escutando sua música, as viagens longas de Ibiúna à Peruíbe eram embaladas pela sua música… Bem rock, bem bossa, bem louco…
    Não aguento mais as musiquinhas de adolescente burrinhas que estão nas rádios atualmente, marcando à fogo o cérebelo…
    POR FAVOR, continue gravando, Santa Rita de Sampa, oramos pela sua graça e talento serem infinitos. Amém.

  • Samuel BB

    Ritaaa, te amo, prefiro “Zzyzx”
    ehehehhe

  • Queridos, Ritinha e Roberto. Saudades! Ontem mesmo, sonhei com voces… Ta vendo, como voces me trazem bons fluidos? Achei o maximo os dois titulos do Cd. De qualquer forma,vai rolar bonito! To aqui ainda em Los Angeles sempre querendo saber noticias de voces! Te Amo!
    Paulinho Ps.: Beijao no Beto, Antonio e DJ Joao.

  • Até as simplicidades da Lee são sofisticadérrimas!

  • thadeu

    prefiro Zzyzx, o album é diferente, coloca um título diferente sem significado ”fixo”

  • Theo Lima

    “Macumbinha”, Rita, é muito você. Acho o nome perfeito para um cd de Rita Lee. Você foi, é e será a mais criativa da nossa música. Desde já, “parabéns!”.

  • Hashi

    Adorei o nome ‘macumbinha’, espero que o CD seja com raízes do tropicalismo e psicodélicas… tenho certeza que vou amar demais esse novo CD. Estou ansiosíssimo Rita, ‘macumbinha’ tem muito a ver com o CD, de acordo com o que li. bj

  • Jonas

    Ritinha, que alegria acompanhar as coisas que vocês estão preparando para vossa galera.
    Te amo, e não vejo a hora de baixar novamente aqui no Borbom Pompéia para irmos lá balançar o esqueleto em familia. Sim em familia, vocÊ com a sua no palco e eu com a minha na platéia. Alegria plena e de qualidade!!!
    Beijo minha linda.

  • “Macumbinha”tipo macumbinha do bem pra abrir nossos caminhos espantar os fântasmas do passado,beijão Rita!

  • Será com certesa um disco que marcará época,isso já da para sentir pelos pequenos toques que já estam chegando até nós.quanto ao nome “Macumbinha”é uma delicia de nome.

  • jonas casartelli dos santos

    Rita , tudo que fizeres , em materia de trabalho vai ser sempre bom , vc e muito maravilhosa , te amo !!!

  • Macumbinha com certesa…também estou fazendo esta sua reza(letra) querida Rita até troquei a Capital Porto Alegre por minha cidade natal Uruguaiana-Fronteira com Argentina aqui o astral é outro estou me sentido uma nova pessoa,em Porto Alegre Deus me livre “a maioria gente invejosa,olho gordo,e muito trabalho para o mal em todas esquinas literalmente,aqui em Uruguaiana e proíbido fazer despachos(sacrificios com animais)estou adorando viver aqui nesta cidade limpa na matéria e no astral. Boa Sorte com seu novo CD !! beijão!!!saudades parece que foi ontem “Show 3001″eu e minha filha abraçamos vc no camarim..bjs !!!

  • Marcelo

    Letra esperacular ! Nossa rita em grande estilo. Que venha logo o CD.

  • Lucas Satiro

    “Pistis Sophia” ainda ta com mais cara de “Macumbinha” do que o “Zzyzn(?)”.

  • Dani

    Adorei!
    ["Macumbinha"]

  • Ewerton

    Q bom so queria saber quando vai sair os cds to morrendo de saudade e vontade de ouvir as novas da Rita, e ja q ta nesse pé de meio tropicalista achei Zzyzx muito bom como titulo. Com tudo q ta rolando por ai é mais q necessario musica boa pra mais uma vez Rita e Roberto mostrarem como é q se faz, q chegue logo o mais novo melhor disco da Rita… e q bom são dois…

  • Muito Boa a entrevista da Rita…mas eu prefiro o título ‘Zzyzx’

  • Antonio

    Mais uma pista desse novo trabalho…que delícia!!!!
    Prefiro o título “Macumbinha”.

Escreva um comentário