Rita por Ed Motta


O cantor resenha o novo disco de músicas inéditas de Rita Lee, “Reza” , que sai neste mês pela gravadora Biscoito Fino



Rita Lee, a pensadora pop, está com um disco novo de músicas inéditas, mais um belo rebento com seu cúmplice Roberto de Carvalho, o compositor do universo pop que conseguiu emplacar muitas vezes nas FMs os temas mais musicalmente complexos dessa linguagem.


Um disco se começa pela capa, ótima, criada pelo Roberto, com fotos tiradas pelos dois. Uns mosaicos, psicodelia pura.


Ninguém grava vocais tão perfeitos por aqui: que cantora, que timbre, que facilidade com as palavras, dicção impecável. Nesse disco, seu canto é supremo, maduro.


A faixa título é um doo-wop, idioma que a dupla visitou muitas vezes, com guitarras e timbres sempre cuidadosos do mestre Roberto, que atua como multi-instrumentista, tocando baixo, teclados e guitarras.


“Divagando” é mais uma das milhares de provas de por que considero a fase com Roberto de Carvalho a melhor da Rita Lee. O texto dela não amolece, como cobraria a patrulha infantilóide rock’n’roll, e a voz dela cai como uma luva nos temas pop/jazzy/bossa.


“Vidinha Besta” é um belo tapa nesse “mundo Rivotril” em que vivemos; e eu, que implico com palavrão, adoro com a Rita: ela pode, ganha outra categoria.


“Paradise Brasil” deveria tocar no mundo inteiro, minha favorita do disco, um house-disco com a excelência de aquitetura pop que papai do céu presenteia poucos.


No meio do conformismo da neo-MPB e do amadorismo do mundo indie, que cresce sem editorial darwinista para conter tal praga, essa dupla mostra mais uma vez como se faz música pop com talher de prata, é um bálsamo pr’alma.


Publicado na revista Cult em abril de 2012.

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