Nunca houve uma mulher como Rita




Grande roqueira e uma das mais importantes artistas do Brasil, Rita Lee lança disco novo, atinge o topo da parada com a música “Reza” e sai da toca para uma sessão fotográfica especial para QUEM. “Não fazia isso há séculos!”








Rita Lee é uma mulher rara. Ao mesmo tempo em que é uma das mais completas estrelas do rock brasileiro e não sai das paradas desde o fim dos anos 60, é a mais reclusa. Não é fã de badalações ou entrevistas. Sessões fotográficas, então, mais difícil ainda. E, rara que só ela, Rita topou posar para QUEM como não se via há anos: em uma sessão de fotos de moda. “Não fazia isso há séculos! Gosto de figurino, moda, fantasia. São prazeres para mim. Sempre me preocupei com isso em shows”, diz ela, que já teve dias de modelo no início dos anos 70, quando participou dos eventos de moda patrocinados pela Rhodia na Feira Nacional da Indústria Têxtil (Fenit). “Era uma delícia. Eles produziam shows, teatro e tinha desfile no meio”, conta a cantora, que foi a protagonista de um musical, Nhô Look, que misturava moda e música.
Os anos se passaram, mas o corpinho continua o mesmo: na sessão de fotos para QUEM, Rita, 64 anos, vestiu criações feitas para corpos de modelos de passarela. E os visuais traduzem a roqueira, uma vez que as coleções do inverno 2012 estão cheias de influências pop dos anos 70. “O que eu mais gostei foi o macacão. É lindo! E tem uma coisa de anos 70 e 80, quando usei muito macacão. Até na capa do disco da música Lança Perfume (1980) eu estou vestindo um”, relembra Rita, que ainda brincou com o fato de colocar salto alto para as fotos. “Alguém imaginou que iria me ver no salto de novo? Acho que não usava desde os anos 80. Estava despreparada. Mas dá outra postura, fica mais bonito.”
NOVA MÚSICA
Com ou sem salto, a roqueira continua no topo. Ela acaba de lançar “Reza”, música em que pede ?Deus me acompanhe/Deus me ampare/Deus me levante/Deus me dê força/Deus me perdoe por querer/Que Deus me livre e guarde de você? e que está em primeiro lugar de vendas no iTunes brasileiro. A canção não para de tocar nas rádios e na novela Avenida Brasil, da qual faz parte da trilha sonora, e vai ganhar um clipe em breve. E o disco, que tem o mesmo nome, Reza, estará disponível no iTunes a partir de terça-feira (24). O CD, lançado pela Biscoito Fino, chega às lojas logo depois.
“Esse disco eu gostei de gravar. Foi na garagem, no estúdio de casa. Um conforto que nunca tivemos. A gente gravava um instrumento, uma voz e dava um mergulho na piscina… Mas não esperava que a música seria tão bem aceita. Então, fico pensando que as pessoas precisam de proteção, não é? Sabe que já teve até milagre? Escreveram para a gente dizendo que precisavam passar em um teste e ficaram ouvindo a música. E deu certo”, conta, aos risos.
O álbum foi todo feito com o eterno parceiro e marido, Roberto de Carvalho, que namora (como ela mesma prefere dizer) desde meados dos anos 70. “Eu e Roberto fizemos o disco por puro prazer! A gente demorou dez anos (o último álbum de inéditas foi Balacobaco, de 2003). O casal ficou na rede esse tempo todo, só aproveitando. Compomos sempre, mas não gravamos por um bom tempo. Aí, resolvemos gravar. Foi um ano para acertar tudo, produzir”, diz, mexendo nos cabelos cor de fogo.
BIPOLARIDADE
O vermelhão dos fios, característico de Rita, pode estar com os dias contados: “Tenho um projeto antigo de parar de pintar o cabelo. Essa tinta vermelha estraga os fios. Usei hena a vida inteira. Mas, depois que o cabelo ficou branco, não pega mais. E a tinta é punk. Uma menstruação. Entro na piscina, sai um rastro vermelho. Tem dias que decido: vou parar. Mas depois volto atrás.”
Entre uma foto e outra, Rita checava os recados dos fãs no Twitter. Uma das artistas mais assíduas no microblog, ela garante que o site é uma espécie de terapia para ela. “É a twitterapia mesmo”, afirma Rita, que no mesmo dia tinha criado um novo apelido para si mesma, ?mulher lithium?, em referência ao lítio, que é usado entre outras coisas no controle do transtorno bipolar. “Descobri isso faz pouco tempo. Tive a vida inteira essa situação de oscilar entre euforia e depressão. Eu sinto que aconteceram situações de estresse emocional em minha vida e não tinha orientação nenhuma. Quando o médico diagnosticou a bipolaridade, eu fiquei tranquila. Falei: ‘Finalmente alguém me disse o que eu sou’. As peças encaixam. Pode ser uma coisa muito solitária. Tanto na euforia, quanto na depressão. E a twitterapia me deixa com amiguinhos, é uma companhia”, afirma ela, que está tendo acompanhamento médico.
“Desde criança tenho esse lado. Tinha uns picos de loucura. Então, é bom os pais ficarem de olho: às vezes, uma criança é muito agitada e com períodos de baixa, que você não sabe o que é. E, por não saber o que tinha, minha vida foi cheia de altos e baixos. Se não era a própria vida, era eu mesma quem causava os altos e baixos”, diz. Rita tranquiliza os fãs, que se preocuparam desde o anúncio do seu afastamento dos palcos (?Mas nunca da música?, frisa), divulgado no começo do ano. “Está tudo bem. Estou em um momento sereno. Estava na hora de parar com os shows. Nem que seja por um bom período sabático. Eu tinha que me dar um tempo. Mas estou gravando, estou por aí.”








Texto por Guilherme Samora, fotos de Paulo Vainer. Publicado na Revista Quem edição de  (18/04/2012)





















































1 comentário para Nunca houve uma mulher como Rita

  • Yuri

    INCRÍVEL! A melhor reportagem feita com a Rita em anos!!!!!!!!!!!! Rita te amo

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