A rainha do rock está de volta


Há mais de 30 anos, o rock brasileiro tem sua rainha vitalícia: Rita Lee. Seus préstimos a este estilo cinquentão em roupagens tão diferentes quanto singulares são dignos de um livro dos recordes: 45 anos dedicados à música, 33 CDs lançados, um incontável número de shows, 33 anos de casamento com Roberto de Carvalho, mãe de Beto, João e Antônio e avó de Ziza.




Com esta bagagem, ela traz para Uberlândia esta noite, a partir das 23h, no Coliseu Hall, seu novo show, “Etc…”. No repertório da turnê, estão as músicas preferidas de Rita no momento: “Vírus do Amor”, “Banho de espuma”, “Chega mais”, “Atlântida”, “Orra meu” e “Insônia”. Em entrevista ao CORREIO, Rita fala sobre a turnê, sobre família e atualidades e mostra que merece mais do que ninguém o título de artista atemporal.




Uma mulher implicante e bem-humorada




Você está em um nível em sua carreira que pode escolher onde e quando faz shows. Essa independência facilita a manter a paixão pelas turnês, pelo estar na estrada?


Quarenta e cinco anos em qualquer profissão cansam todo mundo, mas posso te jurar que continuo tendo o maior tesão em subir no palco, o que me dá preguiça é pegar avião, dormir em hotel, comer comida que não sei quem preparou, enfim, essas manias que aparecem com a idade.




Durante quanto tempo mergulhou em seu repertório para selecionar as músicas de “Etc…”?


Um repertório não dura muito tempo nas minhas mãos. Tenho uma enorme bagagem musical, então ponho e tiro músicas conforme a veneta.




Sabemos que tem o momento em homenagem ao Michael Jackson. Como surgiu a ideia?


Num show nosso em Florianópolis, vi um rapaz vestido de Michael bem na minha frente e eu pirei, pensei que tivesse ressurgido dos mortos. No final do show pedi para alguém buscá-lo para ver de perto. Era o gaúcho Nikki Goulart. Além de ser realmente parecidíssimo, ele deu uma canja no palco e arrasou. Convidei e ele aceitou participar da turnê.




Qual foi sua reação quando soube da morte de MJ?


Michael foi o maior talento do século 20, mas pelo que pude ver no filme “This Is It”, ele estava absolutamente impecável, o que me faz concluir que Michael jamais será superado. Se tomar coquetel de Demerol com Propofol me fizesse dançar e cantar como ele, pode crer que eu não ia pensar duas vezes.




Você é muito exigente com a equipe que te acompanha? Há muita rotatividade entre eles ou já virou uma grande família?


Somos uma grande família. Meus colegas músicos são gente fina, a equipe técnica é competente, os roadies são atentos, me dá muita segurança.




Musicalmente falando, o que há de diferente entre a Rita dos 20, 40 e dos 60 anos?


Aos 65 anos de idade sou menos ansiosa, não é acomodação, apenas um timing existencial diferente. Na velhice, espelhos não gostam muito de nos olhar, eles denunciam todas as rugas do nosso corpo, quando o telefone toca e vamos atender de supetão a coluna reclama, o pé tropeça, o fígado revira…mas sem dúvida minha cabeça prefere ser a velha sábia de hoje do que a jovem burrinha de ontem.




O que a Isabela mudou na vida da vovó Rita?


O nascimento de Ziza foi um marco zero na minha vida. Quando estou com ela, vejo o mundo com 4 anos de idade…São coisas da vida, fases diferentes que toda pessoa passa. Nunca acompanhei o crescimento de uma menina, percebo que Ziza é vaidosa sem ser bestinha, é teimosa sem ser pestinha, é inteligente sem ser geniazinha. Já tive minha cota de cuecas, hoje só quero calcinhas.




Quando o assunto é administrar a carreira, você divide todas as preocupações com o Roberto? Como você é com suas finanças? Superorganizada ou precisa de alguém para te ajudar?


Se eu sou a arquiteta na música, Roberto é o engenheiro que faz acontecer, nada escapa dele tanto no palco quanto nas finanças.




Sobre a proposta de mudança da lei de direitos autorais, que está sob consulta pública, qual sua opinião?


Acho que o governo não deve se meter onde não é chamado.




Você lambeu a maçaneta da porta do estúdio em Abbey Road onde os Beatles gravaram… neste mês um piano usado por eles no mesmo estúdio foi a leilão, um Challen, também usado pelo Pink Floyd. Lance inicial: US$ 235 mil. Você entraria num leilão desses para arrecadar a peça?


Nem pensar em gastar minha graninha em besteiras.




“Eu estaria mentindo se dissesse que não me sentia competindo com o Black Sabbath quando gravamos “Blizzard of Ozz”. Eu queria tudo de bom para eles, acho, mas parte de mim estava morrendo de medo de que eles fizessem mais sucesso sem mim”. Esta frase está na biografia de Ozzy Osbourne “Eu Sou Ozzy”, olhando para trás, sobre sua saída do Mutantes, você sentiu-se um pouco assim?


Eu dei graças ao meu anjo da guarda, me dei bem.




O que considera ser seu maior defeito e sua maior qualidade?


Defeito: sou implicante. Qualidade: bom humor.




Músicos que acompanham Rita Lee na turnê:


Roberto de Carvalho e Beto Lee (guitarras e vocais), Edu Salvitti (bateria), Brenno di Napoli (baixo), Débora Reis e Rita Kfouri (vocais) e Danilo Santana (teclados).




Matéria publicada no jornal Correio de Uberlândia dia 14/08/2010.

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