Rita Lee volta a São Paulo

O novo show tem homenagens a Michael Jackson e tropicalistas


A estrada trouxe a cantora e compositora Rita Lee de volta à sua Sampa. Depois de passar por Belo Horizonte (Minas), e Ilhéus e Salvador (Bahia), a turnê ETC… chega ao palco do HSBC Brasil hoje e amanhã, com um repertório que Rita montou ao seu bel prazer. “Sou a miss simpatia que não tem ideia do que pode rolar na hora. Nessa turnê, tenho minhas favoritas: Vírus do Amor, Banho de Espuma, Chega Mais, Atlântida, Orra Meu, ”, antecipou a roqueira, em entrevista ao JT por e-mail, como tem concedido habitualmente nos últimos anos. Ela não vem sozinha. Estará acompanhada por seus fiéis escudeiros: o marido Roberto de Carvalho e o filho Beto Lee, ambos nas guitarras e vocais, além de banda. “Sim, tocar ao lado de marido e filho é legal. E não: não rola briga de egos”, brinca a cantora, aos 65 anos, respondendo de cara a uma pergunta que lhe é indagada praticamente em todas as entrevistas.


São 33 anos de matrimônio com Roberto, pai de seus 3 filhos homens e que ela considera seu maior parceiro musical. Rusgas num casamento longo é natural, mas, segundo a cantora, nunca a ponto de os dois não quererem nem mais se olhar. “Temos uma longa história e já passamos por todas as fases. Mas nunca chegamos a esse ponto”, reforça.

Nesta conversa virtual, realizada para divulgar sua nova turnê – que passará ainda por Porto Alegre, Curitiba e Rio -, Rita Lee fala sobre mercado fonográfico, novas tecnologias e terceira idade. Afirma, ainda, que não sairá de casa para votar e que não assistiu ao documentário Loki, de Paulo Henrique Fontenelle, que conta a vida de Arnaldo Baptista, com quem ela tocou, namorou e se separou na época dos Mutantes.

No repertório da turnê ETC…, além das músicas de sua carreira, você traz canções de outros compositores?

Sim, vou cantar composições minhas e fazer homenagem aos Tropicalistas, Michael Jackson e aos Rolling Stones.

São 45 anos de estrada. Você disse recentemente que não tem saco nem saúde para sair em turnê, mas que continua intacto o prazer de continuar no palco. Como dosa isso?

Danço conforme a música. O que realmente me cansa são as viagens e hotéis. Mas quando chego no palco, o prazer continua intacto, como um faraó.

Em tempos de indefinição do mercado fonográfico, com música digital e pirataria, fazer show voltou a ser o principal ganha pão do músico?

Trabalhar com música e sobreviver dela durante tanto tempo é um privilégio para poucos. Acho ótimo as grandes gravadoras estarem na UTI. Durante séculos, elas investiram em clones de artistas que vendiam discos. Agora, com a internet, os alternativos estão tomando o poder. Ninguém precisa de uma gravadora para mostrar seu trabalho.

A internet continua a ser sua grande aliada?

Facilita bastante para responder às entrevistas. Mas não tenho saco nem tempo para facebooks, blogs, twitters, chats. Gosto de fuçar sites que acrescentam informações sobre um livro que estou lendo, ler os jornais do planeta, biografias, essas coisas.

Tem ouvido alguma banda ou artista que chamou sua atenção?

Confesso que estou por fora da música planetária em geral. Se algum artista novo durar mais do que 15 minutos de sucesso, pode ser que eu vá escutar alguma coisa dele. Cá pra nós, quando estou em casa, prefiro o silêncio.

Como anda sua vida de avó?

Nunca acompanhei o crescimento de uma menina. Percebo que Ziza (sua neta) é vaidosa sem ser bestinha. É teimosa sem ser pestinha. É inteligente sem ser geniazinha. Já tive minha cota de cuecas. Hoje, só quero calcinhas.

Depois da experiência no Saia Justa, no GNT, você tem vontade de voltar a participar de algum programa na televisão?

Vontade sempre tenho de coisas que me divirtam. Mas agora não sobra tempo, nem saco, para me dedicar a outra agenda que não a musical. Faço o mínimo que posso de shows para pagar as contas.

Você disse que sua nova loucura é a terceira idade. Como você está curtindo essa fase?

Aos 65 anos, somos menos ansiosos e isso dá uma certa segurança. Não é acomodação, apenas um timing existencial diferente. Na velhice, espelhos não gostam muito de nos olhar, eles denunciam todas as rugas do nosso corpo. Quando o telefone toca e vamos atender de supetão, a coluna reclama, o pé tropeça, o fígado revira. Mas, sem dúvida, minha cabeça prefere ser a velha sábia de hoje do que aquela jovem burrinha que fui no passado.

Nessa fase, as pessoas tendem a cuidar melhor da alimentação, fazer atividades físicas. O que você tem feito?

Cuidar dos meu bichos, ler, fuçar sites interessantes, nadar, namorar Roberto. Não necessariamente nessa ordem.

Na época do lançamento do documentário Loki, o diretor Fontenelle disse que você não quis filmar depoimento. Prefere deixar essa história no passado? Assistiu ao filme?

Não tem problema, mas eu não assisti ao filme.

Você afirmou num show que não vota na Dilma, nem Serra nem na Marina. Não há opções?

Enquanto o voto for obrigatório, nada vai mudar. Esse ano nem vou sair de casa para votar.

por Adriana Del Ré

Jornal da Tarde

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